27.11.09

Não me recordo bem como conheci o Patrício mas, a certa altura da minha vida, passou a fazer parte do circulo de amigos com quem saía à noite.

Era uma rapaz forte, pouco alto, com os olhos azuis que brilhavam de energia e vitalidade. Estava sempre bem disposto. Minto. Às vezes estava mal-disposto, mas tinha piada. Dizia que era por ser gordo.

 

O Patrício era um verdadeiro personagem. Vidas difíceis. Foi ao Brasil e veio. Fez de transportador de droga. Foi preso. Prometeram-lhe uma vida tranquila em troca de silêncio. Cumpriu a pena. Foi exemplar. Tirou um curso superior e seguiu a vida dele.

 

Dava aulas a miúdos do ensino básico. Era atravessado, maluco como os comboios, dizia-se por aqui. Um castiço. As crianças adoravam-no.

 

Foi dar aulas para a Madeira, casou, teve um filho e impôs-se dieta. Há dois anos estive com ele numa semana académica. Completamente bêbedo, a quem não o conhecesse pareceria até um arruaceiro. Mas não era. Tinha bom coração.

 

Mais tarde voltei a encontrá-lo junto ao castelo. Tinha comprado uma harley. Prometeu que um dia me levaria a dar uma volta, só para eu conhecer a sensação de montar um bicho daqueles.

 

Ontem soube que morreu. Terá sido há um mês ou dois. Vi a notícia.

Não sabia que era ele. 

sinto-me:
publicado por Lacra às 11:06

É uma merda quando as pessoas desaparecem da nossa vida assim, estúpida, disparatada.

Bjs* cheer up
Joana Marques a 30 de Novembro de 2009 às 16:08

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