31.12.09

Realmente há coisas do diabo. Ontem a Protecção Civil previu cheias para o Douro que acabaram por não se concretizar. Tal provocou muitas reacções negativas junto da população e dos responsáveis locais e têm toda a razão. Então agora é assim? Está uma pessoa à espera da chuva e ela não aparece? Mas que pouca vergonha vem a ser esta? Assim não dá! Já estava tudo preparado para fazer frente ao rio e vai o tempo e faz-nos uma desfeita destas?!

 

Está tudo maluco. E eu a trabalhar. Boas Festas a todos.

 

“As chuvas dos últimos dias alagaram estradas e provocaram danos, mas na madrugada de ontem não se verificaram as cheias previstas pela Protecção Civil. As críticas mais fortes vieram da Régua, onde presidente  da Câmara acusou este organismo de erro e de provocar um alarmismo desnecessário.”

Fonte: DN

publicado por Lacra às 10:07

29.12.09

"Se você quer saber porque matei o Fernandinho, presta atenção, sua puta, escuta direitinho: Ele ganhou a eleição e se esqueceu do povão e se há coisa que eu não admito é traição. Prometeu, prometeu, prometeu e não cumpriu, então eu fuzilei, vá para a puta que o pariu"

 

 

 

publicado por Lacra às 18:13

26.12.09

Outro dia conto-vos como foi o meu Natal. Podia ser melhor, mas não foi mau. Não dependeu de mim ser melhor. Tive prendinhas fixes, mais do que contava ou do que merecia.

Hoje deixo-vos com esta:

 

 


23.12.09

A neve voltou e com ela todos os transtornos que só quem tem de vir trabalhar, obrigatoriamente, conhece. Conduzir é tarefa difícil e andar a pé não é melhor solução. Gostava era daqueles dias em que acordava debaixo de um pesado manto de cobertores de lã e sentia o ar frio no nariz. O cheiro da lenha a arder na lareira e das torradas que a minha avó fazia para mim aqueciam-me a alma. Os pingarelhos de gelo acumulavam-se nos ramos das árvores, nos telhados das casas. Tudo à volta era de um branco imaculado que deixava a aldeia inacessível. 

Gostava de quando o meu pai chegava e vinha brincar comigo na neve. Gostava daquele tempo em que a família se reunia à volta da lareira. O calor deixava-nos as faces avermelhadas mas não chegava às costas. Era bom. A minha avó ligava o forno e fazia os doces mais deliciosos do mundo. Tinha aprendido tudo em França, numa casa de um embaixador, em Paris. Falava muito desses tempos e de como Paris era lindo quando nevava.

Chamo-lhe mãe em vez de avó. Mãe Delfina. A minha avó paterna ficava enciumada apesar de compreender. Fazemos anos no mesmo mês e sempre vi nela um ideal de pessoa. Às vezes o meu pai diz que ela não era assim tão justa e tão boa quanto eu possa pensar. Para mim sempre foi. Um dos meus maiores medos é perdê-la para sempre. Sei que isso vai acontecer. Penso muitas vezes nela. Como hoje à noite. Quando estava assim frio ela sentava-se num banco à lareira, com um cobertor em cima das pernas. Quando o cobertor estivesse quente, enrolava-me nele e levava-me ao colo para a cama. O quarto era muito frio, mas ela fazia-me um "ninho" na cama que, ao fim de alguns minutos, se tornava muito confortável. 

Às vezes deixava-me ler um bocadinho. Não muito. Dizia que me fazia mal estar muito tempo a ler à noite. Mas quando me deixava ler um bocadinho, trazia-me também umas bolachinhas ou um doce. Era reconfortante. A minha avó sabia sempre quando estava triste. Adolescente, sempre cheia de crises, fugia para o quarto para chorar sozinha. Vinha atrás de mim e obrigava-me a abrir a porta. Abraçava-me sempre, mesmo quando não tinha razão. Ralhava comigo mas tinha sempre um carinho para me dar.

Hoje todas essas memórias se apagaram. Apagaram? Sei que ela fica feliz quando me vê mas está muitas vezes triste. Não se recorda de cozinhar. Não se recorda de praticamente nada. Ainda nos reconhece mas no seu olhar já só vejo um mar de tristeza. Nunca pensei que uma pessoa tão forte pudesse esquecer uma vida. Menos Paris. A cidade que ela mais amou. Talvez onde tenha sido mais feliz. Com apenas a quarta classe, aprendeu a ler e a escrever o francês correcto comprando e lendo jornais. Aprendeu a cozinhar com um livro de receitas francesas. Antes de ficar completamente doente começou a trocar palavras portuguesas por palavras francesas. Depois começou a confundir-se e quando contava uma história perdia o raciocínio e voltava ao início. Desvalorizamos. Pensamos que era do cansaço. Mais tarde começou a perder a noção do que era real e do que era invenção. Já não distinguia as notícias dos filmes e novelas. Deixou de ler. Deixou de escrever. Deixou de tomar a medicação de forma correcta. Deixou de cozinhar e de tratar dos animais. Um dia perdeu-se na floresta e foi a pé até outra aldeia. Alguém a reconheceu mas não soube explicar o que acontecera. Hoje depende de ajuda para se vestir, come sozinha com muitas dificuldades e só depois de lhe prepararem o prato. Passa as tardes num centro de dia. Não fala com os outros idosos e mesmo connosco tem dificuldades em exprimir o que quer que seja. E chora. 

Em casa parece-me que se tenta ignorar o problema, desvalorizando. Às vezes puxo por ela e tento dar-lhe todo o carinho. Retribuir o que ela me deu a mim. E só me dá vontade de chorar.

Um dia fui vê-la ao centro de dia.A minha mãe tinha-me pedido para ir pagar as contas do apoio domiciliário e da instituição onde ela fica durante a tarde. Pedi para vê-la. As pessoas eram muito simpáticas mas o ambiente era muito triste. Numa sala estavam cerca de dez idosos. Uns dormitavam, outros jogavam dominó e outros estavam ali assim, só, sentados. 

Quando me viu começou a rir-se muito alto e a chorar. Não sabia o que dizer. Ficou agitada. Mas feliz. Dei-lhe muitos beijos e carinhos. Custou-me a ir embora e quando cheguei ao carro chorei como uma criança. Porque jamais terei a capacidade ou a humanidade para lhe dar tudo o que ela me deu a mim. Porque me custa aceitar. Um dia vou perdê-la e não sei se vou recuperar porque hoje a dor de a ver assim já é muito grande,.

 

sinto-me:
publicado por Lacra às 11:39

22.12.09

 Ainda não é Natal, mas quase. Boas Festas a todos:)

 

 

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publicado por Lacra às 15:20

 Pois bem, a pedidos de muitas famílias (foi só uma, mas não faz mal) aqui vai um slideshow (que fashion, uau!!) do meu novo casaco que as más línguas dizem haver aos molhos na feira, a dez euros....

 

 

 

Eu cá desconfio, mas se calhar sou mesmo muita estúpida.

sinto-me:
publicado por Lacra às 15:18

21.12.09

 

Voltei a ficar sem aquecimento e sem água quente. A caldeira voltou a avariar mas desta vez não dá qualquer sinal de avaria. Simplesmente não funciona. Liguei aos técnicos da Roca, responsáveis pela manutenção da dita cuja. Tal como já aconteceu outras vezes, disseram que não estavam disponíveis (isto aconteceu sexta), depois metia-se o fim-de-semana, por isso, diziam alguma coisa durante a semana. Hoje nevou e presumo que também fosse impossível dizerem algo.

Na noite de sexta tinha um jantar de colegas jornalistas. Como já me tinha compometido, tive de ir. Mesmo sem tomar banho. Acreditem que me custou imenso. Estava um frio de rachar. Mas fui. Disse boa noite mas não me pareceu ter ouvido muitas respostas. Deve ter sido impressão minha.

O meu casaco é que causou sensação. Parece que sou burra em ter dado tanto dinheiro por ele porque logo me informaram que havia uns “iguaizinhos” na feira, a 10 euros. O meu custou 70.

No fim paguei 17 euros. O meu prato custava 6,50... Para a mesa vieram apenas três garrafas de vinho. Éramos doze pessoas. decidiram dividir as contas. Fiquei a digerir. Depois foram beber um copo mas isso já era pedir de mais. Fui para casa, aninhar ao lado do meu amor que com toda a paciência do mundo ainda me atura a mim e ao meu mau feitio.

Só no Sábado é que alguém apareceu para tratar da caldeira. Um senhor que costuma fazer biscates. Não percebeu nada do que se passava, limitou-se a tirar e a meter pressão na caldeira. No fim levou-me dez euros. É justo. Fi-lo sair de casa e ainda nos deu umas dicas, presumo que de forma gratuita.

Hoje de manhã a cidade estava completamente nevada. A circulação automóvel era impossível. Fui tomar um banho. A caldeira ligou. Meti-me na banheira, a água quente a correr por mim abaixo. E de repente, a água fria. Berrei, gritei, chorei de raiva. De manhã não vim trabalhar, mas também não dormi nem descansei. Até dia 7 de Janeiro não há edição de jornal mas temos de vir trabalhar. Hoje, como está tudo nevado, não veio ninguém aqui. Escrevi umas peças mas não tenho que fazer. Estou aqui, à espera de bater a hora de picar o ponto e sair.

O director e o administrador não vieram. Mas nós tivemos que vir. É a vida.

Odeio neve. É impossível andar a pé ou de carro. Ainda assim escolhi o carro. A pé escorrego muito.

Estou mal-disposta e triste. O frio deixa-me assim. Podia estar até bem feliz. Se pudesse ficar em casa, no quentinho, enroscada ao meu amor, a ver um filme estúpido e a dizer parvoíces. Sinto tanto a falta do teu amor e do teu carinho....

 

sinto-me:
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publicado por Lacra às 16:50

17.12.09

 Os licenciados em Medicina que escolham fazer o internato no interior do país vão ter direito a uma bolsa de 750 euros + salário. O meu salário, como licenciada a trabalhar na área, já o disse aqui uma vez mas volto a repetir, nem a 750 euros chega e já nem falo do valor base porque é idêntico ao salário de uma pessoa não qualificada. Ou seja, bem posso ir lavar pratos porque mato menos a cabeça e provavelmente ganharei o mesmo, senão mais até! Isto já para não falar dos trabalhos ao fim-de-semana que não são pagos, bem como os trabalhos fora do horário ou em feriados....

 

Diz um colega meu: sem graveto não há palhaço e sem palhaço não há circo. Devia ser assim, mas não é porque há muitos palhaços que precisam de pagar contas e de sobreviver.

 

Outra coisa, eu não tenho nada contra os médicos mas irrita-me solenemente que eles se queixem tanto dos salários que auferem já que estamos a falar de uma das profissões mais bem pagas do país. Antes de alguém sequer argumentar:

 

  • os médicos são médicos não porque sejam pessoas mais inteligentes ou capazes que os outros, mas sim porque foi a profissão que escolheram exercer. Eu não sou médica porque não quis ser. Se quisesse também teria capacidades para entrar no curso e conclui-lo, como os outros...
  • os médicos são bem pagos face aos salários que a maioria dos licenciados exerce. Não são eles que estão mal, o resto dos profissionais é que é mesmo mal pago, mas e por fim:
  • custa-me muito ver médicos a reclamar do salário tendo em conta o que disse anteriormente e tendo em conta a prática diária. Todos nós vemos imensos médicos a fazer serviço público e privado, esquecendo, quantas vezes, o juramento que fazem e a que eu chamo juramento dos hipócritas. 

Sem querer meter todos no mesmo saco, porque há médicos e médicos, vou só contar uma história pessoal.

 

Fui ao médico de família pedir um atestado para a prática de natação nas piscinas municipais. Pediu-me que fosse ao consultório dele porque no centro de saúde era impossível. Despachou-me porque eu não o deixava ir assim sem levar recado. Bom, como não tinha outra alternativa, lá fui ao consultório. Paguei cinco euros e ele deu-me um atestado. Nem quinze minutos estive com ele. Perguntou-me se tinha algum problema. Respondi que não sou médica para fazer esse tipo de avaliações mas que não sentia nada de anormal.

Conclusão: o meu médico "vendeu-se" por cinco euros. Isto é medicina? Isto alguma coisa sequer?

 

Ah, evidentemente não passou factura. Com factura eram 10 euros....

publicado por Lacra às 17:25

O Sapo e o Escorpião

 

Um escorpião encontrava-se na beira de um lago. Vendo um sapo por ali, chamou-o e disse-lhe:

 

  • Amigo sapo, podias transportar-me para a outra margem do lago?
  • Não escorpião. Se eu fizer isso tu picas-me e morro, respondeu o precavido sapo.
  • Mas, sapo, se eu te picar morremos os dois afogados!, respondeu o escorpião.

O Sapo, reflectindo no que o escorpião lhe havia dito, respondeu:

  • Ok, escorpião, salta para as minhas costas.

Enquanto atravessavam o lago, o sapo sentiu uma forte picada nas costas. Voltando-se para o escorpião, disse:

 

  • Porque fizeste isso, escorpião? 
  • Tens de me desculpar, sapo, mas está na minha natureza.

Parte II

A Vaca e o Rato

 

O vento soprava forte e a neve caía com intensidade. Um rato gelava e tremia de frio quando encontrou uma vaca.

  • Vaca, ajuda-me a acabar com este frio ou morro!, disse desesperado.
  • Ratinho, não sei o que posso fazer por ti. Não me leves a mal mas usa a minha bosta para te aqueceres porque não vejo outra forma de te ajudar.

O Rato não gostou da ideia, mas não tendo outra solução aceitou meter-se em tal situação.

Estava no meio da bosta quando viu passar uma cobra que lhe perguntou:

 

  • Que te aconteceu amigo Rato?
  • Nada. Foi a forma que encontrei para me aquecer...
  • Queres ajuda para sair daí?
  • Se me ajudares, agradeço, respondeu com admiração.

 

A Cobra ajudou o ratinho a sair da bosta e logo de seguida, sem dizer uma palavra, engoliu o pequeno roedor de uma só vez.

 

Conclusão da história:

Nem sempre que te põe na merda te quer mal.

Nem sempre quem te tira da merda te quer bem.

 

publicado por Lacra às 15:29

 Tudo ainda vai melhorar. Tenho de acreditar que sim.

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publicado por Lacra às 11:46

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