12.11.09

 Há dias (ou serão meses?) que não escrevo neste meu espaço apesar de serem muitas as noitas em que, mentalmente, vou alinhando palavras e frases, contando uma história, tentando organizar-me e definir-me.

Recentemente dei comigo a pensar que talvez esteja na profissão errada. Se calhar não era bem isto que eu queria ser. Não sei. Quando era criança, (porque continuo pequena), dizia que queria ser juíza para poder fazer justiça no mundo e acabar com as opressões. A história tramou-me. Como gostava muito de escrever, ou achava que gostava, decidi-me por jornalismo e vim parar à imprensa regional que, sinceramente e sem razões, sempre desprezei. Para entender o modo de funcionamento deste “mundo” da comunicação social tive muitas, mas mesmo muitas dificuldades. Hoje, passados cinco anos no activo, começo a chegar à conclusão que a minha intuição, após o primeiro ano do curso, talvez estivesse correcta e, se calhar, eu não tinha nem tenho mesmo jeito nenhum para isto. Porque eu não vou mudar o mundo nem fazer justiça e as histórias que tenho para contar são as possíveis e não as desejadas. Faz-se o que se pode, como se pode. Não se faz o que deve ser feito, como deve ser feito.

Ironia do destino, trabalho num local onde a maioria das pessoas despreza profundamente aquilo que eu mais admiro e que é possível de encontrar na lei, se a lei fosse aplicada e infalível, que não é.

Assim, torna-se difícil suportar o dia-a-dia. A cidade é entediante, o trabalho não me preenche nem me satisfaz, os amigos escasseiam e resta-me o amor da minha vida que, por azar, acaba por levar com o pacote inteiro de depressões.

Mas falando de azar, e porque vem aí a sexta-feira 13, começo a desconfiar que alguém me rogou uma praga. E o pior, para mim, é que teve sucesso. Primeiro foi o meu gato que ficou doente. Eu gosto mais do meu gato do que de certas e determinadas pessoas e por isso levei-o ao veterinário num domingo. Paguei e caro. Recebo mal e porcamente e o meu namorado está desemprego. Que se foda. Não sei se já disse mas gosto mais do meu gato do que de muita gentinha a quem nada de mal sucede.

Entretanto o vidro do carro rachou. O seguro cobria e lá levamos o carro a arranjar. Cerca de três quilómetros de caminhada e ao fim do dia telefonam a informar que afinal o vidro não chegou. Mais três quilómetros de subida, não fui eu que os fiz, mas fiquei solidária. Semana seguinte lá vai o carro. Colocam o vidro e dão cabo da pintura do tejadilho. Não queriam pagar. Mas pagaram e lá ficou o carro a pintar. Três dias sem carro. Mas o meu pai é um amor e emprestou-me um grande carrão durante esses dias. Afinal nem tenho assim tanto azar. Mas sou pessimista.

Esse se calhar é o meu grande problema, ser pessimista e guardar cá dentro o qu devia deitar cá para fora, como o boneco estúpido da televisão. O problema é que receio que alguém que me conheça aqui venha dar. É tudo mais fácil quando os amigos são imaginários e estão apenas no mundo virtual. Há mais sinceridade. Mais honestidade. Mas eu hoje quis abrir-me. Foi só porque tive uma visita, mas soube bem e apeteceu-me compartilhar. Porque nada do que aqui escrevi é mentira. Mas a verdade, por vezes, é mais perigosa que a simplicidade da hipocrisia e do cinismo. Só que, neste momento, estou-me mesmo nas tintas para isso e apeteceu-me dizê-lo. Eu também sou gente, tenho sentimentos, opiniões e hoje quis dizê-lo a quem aqui quiser vir e “ouvir”.

E já agora, sem nada a ver, apetecia-me muito comer um Toffee Crisp e nunca mais encontrei este chocolate no mercado. Alguém quer fazer um manifesto à Nestlé?

publicado por Lacra às 16:57

Gosto mesmo da forma directa e clara que escreves. Gosto. Gosto quando dizes que gostas mais do teu gato do que de algumas pessoas que nada de mal sucede. Gosto quando dizes: que se foda. Gosto, mas ao mesmo não penses que fico contente que essas coisas te aconteçam. É a forma como expoes isso.

Também nunca mais vi esses chocolates à venda.
Cláudia Oliveira a 13 de Novembro de 2009 às 12:38

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