02.10.12

Olá amigo! Depois de quase dois anos de ausência, devo dizer que senti a tua falta. Não sei por que motivo deixamos de comunicar, mas entretanto regressei, com a vida partida em vários pedaços.

Talvez seja bipolar e com tendências depressivas, como diz o meu irmão, não sei. Estive a reler as nossas conversas, já nem me lembrava de ti, para ser sincera. Tenho muitas coisas para te contar e tenho mesmo de o fazer porque senão vou esquecer tudo. É um problema que tenho, esqueço rapidamente.

Não deves saber mas no final do ano 2010 decid mesmo ir embora. Chamei o novo administrador lá do "tasco" onde eu trabalhava e disse-lhe que me ia embora. Esperava sentir aquele tal alívio, mas foi o oposto - apreensão. Estava feito. Na altura, animada por determinadas pessoas e sem consciência real da aventura em que me estava a meter, lá foi eu para Paris com o amor.

Primeiro foi a descoberta, depois a desilusão. O que vivi? Tenho tanto para te contar...

Num abrir e fechar de olhos perdi toda a minha vida, tudo o que tinha construído com suor e sacrifício, e muita loucura, confesso, assim como irresponsabilidade. Vi-me numa cidade enorme e fria, sem referências ou lugares onde me sentisse bem, sozinha, sem o meu mundo. Deixei de ser a jornalista, não sei se continuei a dar o ar de antipática e arrogante. Acho que perdi o ar.

Um dia dei por mim a olhar ao espelho e não me reconheci. É verdade que vi coisas incríveis, estive em lugares históricos magnifícos, mas que nada valem ao pé do que eu tinha e perdi.

Tive de perder para poder fazer este caminho de redescoberta e ver quantas vezes estive errada e agi mal. Às vezes parece-me que ando a tentar colar os estilhaços de uma vida que parti em mil pedaços e todos sabemos que aquilo que se estilhaça não se volta a recuperar.

Portanto agora aqui me tens novamente. Mudei de casa, temporariamente. Estou bem no centro da minha querida cidade. Recupere contatos antigos, quis ir ver alguns colegas.

Continuo sem saber se gostavam ou não de mim, mas hoje isso não me interessa muito. Gostava só de voltar ao ativo e dedicar-me àquilo que gosto.


09.04.09

 

 

Surgi do meio do frio e é no frio que permaneço

5300 já foi definido o endereço

as raízes estão lançadas

concentradas nesta zona

Eskuadrão Furtivo na casa

pronto a comer-te a mona

 

Hip-hop tuga puro

mantendo a sua raiz

autarcas ficam de fora

MC's são V.I.P's

 

Não estou no fim do mundo

isso aí está tudo mal

estamos no topo do mapa

Aqui começa Portugal

 

Treinadores de bancada, podem poupar os comentários

Como se me fosse preocupar

com conversas de otários

Nunca prestei atenção a quem não sabe aquilo que diz

Aqueles que mandavam bocas

são os que agora pedem "bis"

 

Filosofia de vida

cheia de bombos e tarolas

esta é a disciplina

que não te ensinam nas escolas

Não tens noção da vida

e eu pergunto-te: qual é a tua?

Verdade nua e crua

só encontras na rua

 

Tristeza e melancolia

é fruto da necessidade

que ainda mais abalou

com esta história da maternidade

A política é só treta

e vais conhecendo as situações

Mas não pretende fazer nada

para trazer as soluções

 

É a cidade do pecado

onde não sou controlado

porque é nestas ruas

onde eu sou abençoado

este é o meu berço

o lugar onde cresci

nada vai apagar

os momentos que aqui vivi

Humilde e sincero

não me envolvo em esquemas

porque nesta cidade já há muitos problemas

onde o pobre constrói mais tarde o rico destrói

e tu já sabes qual é

é Bragança, boy

 

No início era tudo belo

não existia o pecado

não havia a ganância

e ninguém te olhava de lado

agora fecham escolas sem quase nenhuma explicação

e ainda falam que combatem esta desertificação

 

Dizem que nada se perde

mas que tudo se transforma

transformação não vejo

não me iludem dessa forma

procuramos inovação

para viver no novo milénio

tentam-nos silenciar

com água cheia de arsénio

continuamos a denunciar a vossa grandeza fictícia

eles atacam os concertos, interrompendo com a polícia

Nas casas de alterne é onde a moina se intormete

tiram as putas da rua

mas elas anunciam na net

alguns são vigiados

outros vivem preocupados

os ricos são adorados

e muitos pobres humilhados

há guerras entre as classes

que não interagem entre si

enquanto uma delas chora

é porque a outra sorri

 

É a cidade do pecado

onde não sou controlado

porque é nestas ruas

onde eu sou abençoado

este é o meu berço

o lugar onde cresci

nada vai apagar

os momentos que aqui vivi

Humilde e sincero

não me envolvo em esquemas

porque nesta cidade já há muitos problemas

onde o pobre constrói mais tarde o rico destrói

e tu já sabes qual é

é Bragança, boy

 

É por ti que o faço

pelo amor à minha cidade

saber as tuas ruas

envenenadas de falsidade

não tenho duas caras

só uma face

eu assumo

Muitos confundem amigos

com companheiros de fumo

aqueles que fugiram da escola

para se meterem em sarilhos

desistiram de viver

passam as noites a armar estrilhos

o tempo vai passando

e é constante o seu lamento

a infância foi esquecida

com um balde de cimento

alguns desempregados

com o diploma debaixo do braço

acabaste o curso

mas o trabalho continua escasso

os anos vão passando

as pessoas vão mudando

muitos valores e ideias

muitos vão abandonando

 

Numa cidade pequena

onde toda a gente se conhece

se cometes um deslize

nem imaginas o teu stress

passamos a mensagem

boca a boca

no distrito

Bragança está no mapa

e para já está tudo dito

 

É a cidade do pecado

onde não sou controlado

porque é nestas ruas

onde eu sou abençoado

este é o meu berço

o lugar onde cresci

nada vai apagar

os momentos que aqui vivi

Humilde e sincero

não me envolvo em esquemas

porque nesta cidade já há muitos problemas

onde o pobre constrói mais tarde o rico destrói

e tu já sabes qual é

é Bragança, boy

 


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