02.10.12

Em Setembro escrevi assim:

 

A cena é a seguinte: fiz merda. Isso não é novidade, mas é falta de aprendizagem quando estamos quase a chegar aos 30 anos.
Há um ano e meio decidi deixar tudo para trás, e não era assim tão pouco, e vim com o Amor para Paris. Não adianta aqui justificar o porquê, as promessas que nos fizeram, como preparamos tudo... Foi uma grande estupidez, um erro inqualificável. E a culpa é de quem? Sobretudo minha. Tinha vontade de sair e conhecer a metrópole. Como os parolos que acham que lá fora é tudo melhor. Parolos com formação superior e que estavam a trabalhar na área...
Não sobrava dinheiro, os salários não eram lá grande coisa, mas dava para o gasto e não sobrava, mas havia alegria. Viemos atrás do dinheiro, parecia tanto!!Esclarecidos, esquecemos o célebre ditado - "nem tudo o que reluz é ouro", às vezes é mesmo lata.
E foi assim que nos vimos a trabalhar num célebre palácio...a fazer limpezas. E a varrer a rua, serviço que ninguém queria fazer. As camisas brancas que o contacto nos tinha prometido eram, afinal, umas batas horríveis que fazem qualquer pessoa sentir-se o ser mais pequenino do mundo.
O que me passou pela cabeça? Mas o arrependimento não foi súbito. Não. O avião ainda não tinha descolado do aeroporto e já eu chorava amargamente. Podia ter pedido um mês ou dois, vinha conhecer a Europa, como tanto desejava. Voltava a seguir. Podia ter pedido licença sem vencimento. Podia....Não fiz nada disso, tomei a decisão mais radical e quis provar a todo o mundo que era capaz de me desenrascar sozinha. Não bem sozinha, com algum apoio, ainda que mínimo. Até nisso a minha falta de confiança é alucinante. Para chegar ao mesmo fim, tanto poderia ter vindo para uma capital onde tivesse contactos como para outra qualquer e, sendo assim, preferia ter ido para Londres, ou Amesterdão ou outro lado qualquer onde o inglês fosse mais dominante.
É que nem o francês falava. Chorei a viagem toda para não ter de chorar depois. A aventura foi, durante uns meses, uma aventura porreira, mas com muitos momentos maus. Quando chega o momento de reflectir é que dói mais.
Um dia disse à minha mãe que queria regressar dentro em breve. Eu tinha dito que não queria regressar tão breve porque estava zangada com Portugal. Mas ninguém se esqueceu do que eu disse e parece que ninguém quer que eu volte. O país está muito mal. A crise afecta toda a Europa, mas tu agora já estás aí.
Gostava que compreendessem mas é difícil, muito difícil.
Já tinha idade para ter juízo e orientar a minha vida. Orienta-te, foi também isto que a minha mãe me disse. Em breve faço 30 anos e não sei se conseguirei deixar de ser esta desilusão que sempre fui.


Conversas do meu amigo imaginário
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