17.12.09

O Sapo e o Escorpião

 

Um escorpião encontrava-se na beira de um lago. Vendo um sapo por ali, chamou-o e disse-lhe:

 

  • Amigo sapo, podias transportar-me para a outra margem do lago?
  • Não escorpião. Se eu fizer isso tu picas-me e morro, respondeu o precavido sapo.
  • Mas, sapo, se eu te picar morremos os dois afogados!, respondeu o escorpião.

O Sapo, reflectindo no que o escorpião lhe havia dito, respondeu:

  • Ok, escorpião, salta para as minhas costas.

Enquanto atravessavam o lago, o sapo sentiu uma forte picada nas costas. Voltando-se para o escorpião, disse:

 

  • Porque fizeste isso, escorpião? 
  • Tens de me desculpar, sapo, mas está na minha natureza.

Parte II

A Vaca e o Rato

 

O vento soprava forte e a neve caía com intensidade. Um rato gelava e tremia de frio quando encontrou uma vaca.

  • Vaca, ajuda-me a acabar com este frio ou morro!, disse desesperado.
  • Ratinho, não sei o que posso fazer por ti. Não me leves a mal mas usa a minha bosta para te aqueceres porque não vejo outra forma de te ajudar.

O Rato não gostou da ideia, mas não tendo outra solução aceitou meter-se em tal situação.

Estava no meio da bosta quando viu passar uma cobra que lhe perguntou:

 

  • Que te aconteceu amigo Rato?
  • Nada. Foi a forma que encontrei para me aquecer...
  • Queres ajuda para sair daí?
  • Se me ajudares, agradeço, respondeu com admiração.

 

A Cobra ajudou o ratinho a sair da bosta e logo de seguida, sem dizer uma palavra, engoliu o pequeno roedor de uma só vez.

 

Conclusão da história:

Nem sempre que te põe na merda te quer mal.

Nem sempre quem te tira da merda te quer bem.

 

publicado por Lacra às 15:29

 Tudo ainda vai melhorar. Tenho de acreditar que sim.

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publicado por Lacra às 11:46

15.12.09

 A Sapo lançou o desafio: escolher o post que mais me marcou em 2009. É um post sem título, um desabafo que me libertou para continuar neste espaço a dialogar com os meus pensamentos, feito a 20-10-09, quatro dias depois de eu fazer anos e 18 meses depois da dita conversa, que foi real.

 

 

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publicado por Lacra às 16:45

 Trim, trim, trim

  •  Sim? Quem é?
  • É da EDP. Vamos cortar a luz uns minutinhos para alterar o contador.
  • Ah, mas agora é completamente impossível. Estou a jogar e estou no último nível...

 


11.12.09

Quando entrei e sorridente cumprimentei os colegas, ninguém imaginava que me preparava para fazer a minha declaração mais bombástica de sempre. Para mim, pelo menos.

 

Tinha passado a noite toda a pensar em tudo o que tinha para dizer e que há anos se entalava na garganta. No trajecto de casa ao trabalho, pensei mais uma vez. Digo apenas o que tenho a dizer e venho embora ou digo tudo o que sempre quis dizer e venho embora?

 

Estive sempre inclinada para a segunda opção. A meio da tarde pedi aos dois senhores que me acompanhassem para a mítica salinha de reuniões. Sem saberem o que esperar de mim, nunca antes tinha feito tal coisa, seguiram-me calados, entreolhando-se.

 

  • Bom, pedi para reunirem comigo porque lhes quero dizer que me vou embora

Bummmmmmmmmmm. Senti o meu coração acelerar. Não era nada disso que estava pensado.

Eles entreolharam-se e, depois de um silêncio que pareceu durar horas, ele finalmente disse.

 

  • Muito bem. E vais para onde?
  • Vou-me embora. O P. foi colocado em Évora, aqui nunca teve oportunidade de trabalhar na área. Eu vou com ele.
  • E tens alguma perspectiva? Vais fazer o quê? Tens a certeza?
  • Aqui não tenho nenhumas perspectivas também. A vantagem de ir é que finalmente me liberto de vocês e de tudo isto. Aliás, pensei que era isso mesmo que vocês queriam!

Trim, trim, trim.

 

Acordo sobressaltada com o despertador. Tenho o cabelo molhado de suor e sinto-me gelada. Afinal, tudo não tinha passado apenas e só de um sonho. Ainda não foi desta que me consegui libertar...

 

sinto-me:
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publicado por Lacra às 12:09

03.12.09

Junkies de todo o mundo, uni-vos!

 

E juntai-vos a mim,

 

para que eu não me sinta tão só.

 

Num mundo pré-formatado,

 

quadrado,

 

doente.

 

Uni-vos para que sejamos mais

 

a contrariar a ordem

 

aparente,

 

caótica.

 

Sem rumo,

 

assim me sinto tantas vezes,

 

perdida num labirinto de regras e imposições.

 

Voar

 

sem asas

 

é possível,

 

sem sair do lugar.

 

Num instante que dura minutos,

 

horas.

 

A divagar,

 

a rir,

 

a reflectir o mundo.

 

O caos,

 

a desordem,

 

o mal.

 

Do alto do meu palanque,

 

com todo orgulho vos digo,

 

não há nada melhor

 

que só olhar para o meu umbigo!

 

E as pedradas que apanho

 

todos os dias,

 

sem excepção,

 

só me fazem voltar

 

para mais uma vez me negar

 

a esse papel de carneiro.

 

Numa viagem sem volta,

 

para lá deste pequeno Portugal,

 

curo a minha revolta

 

indo às raízes ancestrais

 

de uma planta

 

que sem mal algum

 

se encontra vedada aos mortais.

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publicado por Lacra às 10:37

02.12.09

 Aqui há dias vi o programa cinco para a meia-noite, na RTP2 e apanhei um momento que classifico como insólito, sobretudo para uma estação de serviço público. Duas senhoras, munidas de cinco ou seis maletas, apresentavam aos convidados e à apresentadora do programa material erótico. O meu favorito foram umas tangas de mulher com vibrador incluído e comando à distancia!

Só um homem pode ter imaginado tal objecto. Cuecas vibrashape com comando à distância? Mas será que alguém acredita que as coisas vão lá com um comando? Que é uma questão de electrónica aplicada à fisiologia humana?

Depois de reflectir cheguei à conclusão que as cuecas até podem ter sido imaginadas por um homem mas só as mulheres para lhes darem crédito e fazerem acreditar que aquilo pode funcionar! Homens, entretenham-se com o comando. Mulheres, relaxem e aproveitem para embalar num bom soninho.

Eh pá, esta merda não funciona. Passei a noite com o comando na mão e ela em sono profundo. 


27.11.09

Não me recordo bem como conheci o Patrício mas, a certa altura da minha vida, passou a fazer parte do circulo de amigos com quem saía à noite.

Era uma rapaz forte, pouco alto, com os olhos azuis que brilhavam de energia e vitalidade. Estava sempre bem disposto. Minto. Às vezes estava mal-disposto, mas tinha piada. Dizia que era por ser gordo.

 

O Patrício era um verdadeiro personagem. Vidas difíceis. Foi ao Brasil e veio. Fez de transportador de droga. Foi preso. Prometeram-lhe uma vida tranquila em troca de silêncio. Cumpriu a pena. Foi exemplar. Tirou um curso superior e seguiu a vida dele.

 

Dava aulas a miúdos do ensino básico. Era atravessado, maluco como os comboios, dizia-se por aqui. Um castiço. As crianças adoravam-no.

 

Foi dar aulas para a Madeira, casou, teve um filho e impôs-se dieta. Há dois anos estive com ele numa semana académica. Completamente bêbedo, a quem não o conhecesse pareceria até um arruaceiro. Mas não era. Tinha bom coração.

 

Mais tarde voltei a encontrá-lo junto ao castelo. Tinha comprado uma harley. Prometeu que um dia me levaria a dar uma volta, só para eu conhecer a sensação de montar um bicho daqueles.

 

Ontem soube que morreu. Terá sido há um mês ou dois. Vi a notícia.

Não sabia que era ele. 

sinto-me:
publicado por Lacra às 11:06

26.11.09

 casting fotos

sexovirtual

 

Empresa: sexovirtual

Mais ofertas de trabalho em sexovirtual
Cidade: porto
Distrito: Porto 
É requisito da empresa que os candidatos residam em Porto
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Requisitos mínimos: mulheres ate 35 anos
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Categoria Salarial: 24.000 - 30.000 € Bruto/Ano
Tipo de contrato: Freelancer
Duração do Contrato: 1
Regime: Indiferente

 

 

Porra, não estou interessada!

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publicado por Lacra às 09:37

25.11.09

Os chefes são fodidos. Uma colega apareceu hoje num serviço com uma nova máquina fotográfica. Canon. Poderosa, daquelas de profissional. Só que ela é jornalista e os jornalistas nem sempre têm formação em fotografia. Eu não tive, apesar de ter tido umas bases de multimédia, som e imagem (vídeo). Uma pessoa desenrasca.

 

Os jornais regionais nunca têm dinheiro para manter projectos decentes, então os jornalistas que querem trabalhar  na área profissional sujeitam-se a fazer de fotógrafos, jornalistas online, a trabalhar até às desoras e permitem todas e quaisquer tropelias, ignorando a lei e o facto de estarem a ser vítimas de desrespeito pelos direitos do trabalhador.

Mas o jornalistas sujeita-se porque quer trabalhar. Quer mostrar aquilo que pode e tem capacidades para fazer e, por norma, se o faz num regional é porque não teve oportunidade para o fazer num meio nacional ou com mais prestigio. Haverá depois os que não têm nem nunca terão competências. Eu não sei em qual das categorias me incluo. Há dias em que tendo a achar que não tive a oportunidade ou a sorte do meu lado. Há outros em que classifico como uma incompetente nata sem estofo para voos mais altos. 

Ainda assim, não estou a querer dizer que os jornais regionais não valem um chavo. Não valem, é verdade, mas têm pessoas qualificadas e competentes que fazem excelentes trabalhos, dentro das condições possíveis e longe de serem as desejadas. Falha depois a paginação, o comercial, os administrativos, os administradores, gestores e directores que, salvo raras excepções, são tudo gente sem formação para trabalhar na área e sem conhecimento de causa.

 

Mas o jornalista sujeita-se e dá o litro. Não se importa. É capaz até de acumular as funções de fotógrafo, dar uma mãozinha à paginação e, em muitos casos e embora eu saiba que poucos o admitam, dão uma mãozinha aos comerciais escrevendo as “publireportagens” ou textos comerciais ou os famosos “suplementos”.

O problema é de toda esta garra e fúria que caracteriza muitos dos jovens jornalistas, e eu estou a inserir-me nesta categoria, é que tão forte bate como desaparece.

 

É como o tesão do mijo, dizia um colega meu mais velho, conselheiro e amigo desde que aqui cheguei.

 

A expressão assim dita, grosseira, poderá chocar, mas é que é mesmo isso.

 

Lá andava então a miúda com a nova máquina, toda entusiasmada e excitada embora algo preocupada porque não sabia muito bem como trabalhar com aquele machibombo de profissionais. Chegou ao jornal, foi descarregar as fotos. Negras.

 

Ando aqui com uma máquina xpto e não tirei uma fotografia de jeito.... vou ter de pesquisar o manual na internet e estudá-lo.

Mas tu tens ao menos formação em fotografia?

Não mas o  chefe já se queixou que as fotos eram uma merda e daí que tenha comprado esta.

 

Então e não podia ter pensado antes em vos dar formação?

 

Ah, sabes como é.

 

Não. Por acaso não sei como é.


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